27 de jun. de 2010

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Há situações na vida que parecem tão inalcançáveis, há obstáculos que parecem absolutamente intransponíveis.

Mas, então, um dia, depois que com muito esforço você deu alguns passos na direção que tanto almejava, uma porta é destrancada e surge a coragem para abri-la.

E, de repente, você está lá do outro lado.

Então, o mais curioso é que tudo parece tão natural, como se essa novíssima realidade sempre tivesse estado ali bem à sua frente!!!




Incrível se as coisas continuarem parecendo tão concretas... se continuar parecendo que existem portas e, pior, que elas estão trancadas.

2 de jun. de 2010

Daquilo que não se pode nomear

Quando um mal é tão grande e não se vive nada além da dor, quando não sobra nada em você que não esteja mergulhando em dor - dor dilacerando a pele por fora, corroendo a carne por dentro - e perde-se toda a lucidez, porque tudo o que se pode fazer é tentar não sucumbir, a dor, essa DOR, torna-se uma poderosa soberana em sua vida, fincando saltos altos pontudos sobre as suas costas, depois que lançou seu corpo e sua alma no chão e você sentiu o gosto e a secura da terra em sua boca que sangra.
E a Dor não lhe dá nem ao menos o direito de saber como é seu rosto. Gigantesca, não deixa que se distinga nada além de seu pesado manto escuro. Cruel e assustadora, chega a todo momento, não se sabe de onde, com que intensidade, nem deixa conhecer as armas que traz.
Ela tem um Algoz, que executa suas ordens com prazer. Ele é incrivelmente sagaz e bem treinado. Dissimula, se aproxima, parece seu protetor. Depois desfere golpes cruéis. Mas consegue ser tão ligeiro e sutil em seus movimentos que você não percebe que foi ele quem trouxe e usou as armas que a Dor escolheu usar.
Por vezes, você suspeita que tem que se afastar, que algo não vai bem ali com seu grande protetor, mas, então, ele puxa forte as correntes e prende seu corpo e sua alma. O corpo dele sobre o seu, as palavras dele sobre as suas, o tempo, os pensamentos, tudo que era seu desmorona. Mas você pensa que fazem amor e se entrega ainda mais.
Então, o sequestro é definitivo. E o medo, o desespero, a surpresa e o inesperado continuam impedindo que você veja seu cativeiro, as grades na janela.
O perigo aumenta, pois a Dor e seu Algoz fazem grandes aliados dentro de você mesmo - a esperança, o desejo. A esperança de se livrar daquilo acaba também se tornando sua inimiga, pois lança você nos braços fortes que se estendem ocultando os espinhos que embalam a sua dor. Você simplesmente não quer ver os espinhos, a esperança também cega, você apenas espera desesperadamente que a Dor desapareça.

Quando, depois de muito tempo, você talvez conseguir escapar, as sombras e a escuridão serão tão densas que tomarão conta de todas as suas memórias e não permitirão que você saiba jamais. Jamais você saberá qualquer coisa além do fato de que houve Dor. Então, você irá se misturar com a Dor, você será a própria Dor, você será o sujeito que agoniza e a Dor que faz agonizar. Só existirá você e a Dor...
E, portanto, a culpa será toda sua.

A única proteção torna-se, então, saber que não se pode ir para aquele mesmo lugar de novo. Só há a certeza de não ir mais para lá, simplesmente porque está além da capacidade humana suportar mais uma vez uma Dor tão imensa e tão assustadoramente conhecida!

O problema é que para evitar tão grande perigo, não se vai a lugar nenhum mais, nunca mais.