"Vejo da minha janela uma pequena mata que cobre um morro não muito íngreme. Nesse final de inverno, as árvores estão um pouco secas e ainda não há flores. Os eucaliptos se destacam porque são muito altos. Encimando o morro há uma fileira de pinheiros de diversos tipos. Vejo ainda algumas palmeiras e várias paineiras."
Por mais fotográfica que seja a minha descrição, ela será sempre apenas uma descrição subjetiva de algo que eu observo.
Não é fácil aceitar isso (mais difícil ainda aceitar que nem sequer existe uma realidade objetiva a ser observada, mas isso são outros muitos quinhentos mais).
Qual é a utilidade prática disso na vida? Quando, num relacionamento com outra pessoa, compartilho e descrevo a realidade que vivencio na convivência com ela, estou descrevendo impressões subjetivas minhas. Não posso acreditar que esteja descrevendo uma realidade absoluta.
Por outro lado, quando a outra pessoa me fala da sua experiência, não posso me colocar na posição de concordar ou discordar da sua fala, como quem avalia se a sua descrição de uma realidade absoluta (que ambos observamos) está correta ou não. Ela está me contando sua experiência subjetiva, própria e particular, e isso é inquestionável.
O que fazer então? Primeiro, abertura e escuta. Então, em algum momento, será possível criar um significado em comum, que integre as nossas subjetividades, a percepção que eu tenho e a que o outro tem.
Um caminho para a paz e a compreensão.
Um vídeo para (entre outras tantas coisas) pensar nas tais percepções... Divertido e interessante, reune feras como Vincent Price e Tim Burton. E até Edgar Alan Poe!
Muito poético também!