Porque vinha de uma família de fortes e não encontrara a mesma força para lutar, buscou um caminho próprio. Restou-lhe a força de dar as costas para a vida, como se esta fosse um objeto desprezível.
Abrir mão era no seu caso uma vitória. Fora a única possibilidade de manter alguma integridade, de não se deixar aniquilar.
E não era, em absoluto, uma atitude passiva. Precisara de muita força para conseguir fazer isso. Cada passo que espalhava a água das poças na calçada desmanchava as imagens que a mesma água refletia - das lâmpadas dos postes, dos próprios passos, das nuvens, do luar... - e apagava lentamente as imagens de toda a vida.

Levar uma vida medíocre seria ainda mais devastador que tudo aquilo. Por mais doloroso que fosse, um ato de loucura pareceu a única forma de não se submeter. Lutava!
Imagem: Lucian Freud