20 de set. de 2009

Subjetividades

Quando percebo algo e falo a respeito disso para alguém, tenho a impressão de estar descrevendo uma realidade objetiva que observo.
"Vejo da minha janela uma pequena mata que cobre um morro não muito íngreme. Nesse final de inverno, as árvores estão um pouco secas e ainda não há flores. Os eucaliptos se destacam porque são muito altos. Encimando o morro há uma fileira de pinheiros de diversos tipos. Vejo ainda algumas palmeiras e várias paineiras."
Por mais fotográfica que seja a minha descrição, ela será sempre apenas uma descrição subjetiva de algo que eu observo.
Não é fácil aceitar isso (mais difícil ainda aceitar que nem sequer existe uma realidade objetiva a ser observada, mas isso são outros muitos quinhentos mais).

Qual é a utilidade prática disso na vida? Quando, num relacionamento com outra pessoa, compartilho e descrevo a realidade que vivencio na convivência com ela, estou descrevendo impressões subjetivas minhas. Não posso acreditar que esteja descrevendo uma realidade absoluta.
Por outro lado, quando a outra pessoa me fala da sua experiência, não posso me colocar na posição de concordar ou discordar da sua fala, como quem avalia se a sua descrição de uma realidade absoluta (que ambos observamos) está correta ou não. Ela está me contando sua experiência subjetiva, própria e particular, e isso é inquestionável.

O que fazer então? Primeiro, abertura e escuta. Então, em algum momento, será possível criar um significado em comum, que integre as nossas subjetividades, a percepção que eu tenho e a que o outro tem.

Um caminho para a paz e a compreensão.



Um vídeo para (entre outras tantas coisas) pensar nas tais percepções... Divertido e interessante, reune feras como Vincent Price e Tim Burton. E até Edgar Alan Poe!
Muito poético também!

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